A Urgência da Escrita. EVENTOS

Escrever sobre escrever. Decidi fazer isso às vésperas do meu aniversário de vinte e cinco anos. Não somente porque se trata de uma data importante para mim, mas porque eu levei uma semana inteira pra colocar as ideias no lugar depois da experiência que tive (e mais um tempão para terminar de escrever este texto, visto que meu aniversário foi no dia 30 de agosto). Se eu fui abduzida? Bem, de certa forma, acredito que sim, já que visitei um mundo completamente novo.

Antes que você pense que eu fiquei maluca, vou explicar. Fiz uma oficina com a escritora Letícia Wierzchowski no fim de semana dos dias 21 a 23 de agosto, chamada “A Alegria da Escrita”. Letícia teve 18 livros publicados em menos de 20 anos e, dentre eles, um que vocês conhecem bem: “A Casa das Sete Mulheres”, que virou série de TV (exibida pela Rede Globo no ano de 2003, adaptada por Maria Adelaide Amaral e Walter Negrão e dirigida por Jayme Monjardim).

Conheça os outros livros da escritora, incluindo “Um Farol no Pampa”, a continuação de “A Casa das Sete Mulheres”

 


Vídeo com depoimentos sobre a série

 

Quando vi encartado no jornal local um flyer de divulgação da oficina, algo aqui dentro do meu peito me dizia que eu precisava participar. Aquela oficina precisava fazer parte de mim. Comentei em casa que eu estava muito interessada em me escrever e, logo de cara, minha mãe disse: “Filha, tu já teve muitas despesas esse mês. Guarda o teu dinheiro, outras oportunidades virão.” (significa que, na opinião dela, esse negócio de escrever é pura bobagem). Meu pai se sensibilizou com a minha situação e me deu a inscrição como um presente de aniversário.

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A oficina durou de sexta-feira a domingo. Foi um “intensivão” sobre escrever livros de ficção, o que era algo totalmente diferente do que eu vinha fazendo aqui no blog. Todos os textos que eu vinha escrevendo eram baseados na realidade, em coisas que acontecem na vida de todo mundo, principalmente na minha. O único texto que é pra ser ficção é o conto “Como Solidificar um Pensamento e Transformá-lo em Primeiro Beijo” e, mesmo assim, ele é sobre uma história que realmente aconteceu.

O começo da oficina foi um grande baque pra mim. Apesar de já ter lido livros de ficção e, inclusive,  alguns com histórias fantásticas, cheias de detalhes que nunca se adequariam à nossa realidade, escrever dessa forma parecia algo fora das minhas possibilidades, fora do meu alcance. Como assim, inventar uma realidade? Dar o rumo que eu quiser para os personagens que eu mesma inventei em locais que só eu imaginei? É, isso mesmo.

Um amontoado de histórias, adormecidas dentro de caixinhas no meu pensamento, pouco a pouco começam a se enfileirar, esperando a sua vez de serem transpostas para o papel. A ficção também é realidade, só que dentro do seu próprio contexto. E por que não adaptar diversas realidades, contar histórias que podem ter o mesmo objetivo que um texto não-fictício? As possibilidades são infinitas. E elas começam a fervilhar aqui dentro da minha cabeça.

Depois do primeiro dia de curso, tive um sonho extremamente detalhado. Com toda a certeza, teria subsídios o bastante para escrever um livro, uma peça ou, de repente, um conto, para ser mais modesta. Sabe aqueles sonhos que são extremamente reais? Dizem por aí que devemos ter cuidado com eles. As palavras registradas, seja num pedaço de papel, seja numa gravação de áudio, elas existirão para sempre. Mesmo que todas as cópias sejam extintas, queimadas, apagadas. No momento em que um autor escreve, ele dá vida a seus personagens, ao seu enredo. Não há como voltar atrás.

Sabe aquelas histórias de filme em que alguém escreve coisas que vão acontecendo logo depois ou simultaneamente? Esse é o meu maior medo. Eu sempre fui ligada nessas coisas de energia e tal. Uma vez, num curso, aprendi uma técnica de atração de coisas. Claro que não deve haver um fundo científico, mas realmente funcionou! Consistia em pegar um caderno em branco e escrever nele como se fosse um diário. Colocando a data e descrevendo como foi o dia. Só que ao invés de contar no diário o que aconteceu, a pessoa deveria escrever o que ela gostaria que tivesse acontecido, mas o fazendo como se tivesse sido verdade. Coisas do tipo “Hoje foi um dia muito bom. Aconteceu tal e tal coisas e blá blá blá”. Eu fiz isso uma vez. Escrevi por mais ou menos umas duas semanas e deixei o tal caderno pra lá. Pra ser bem sincera, não estava sequer acreditando que escrever meia dúzia de palavras num pedaço de papel poderia surtir algum efeito. Depois de uns seis meses, as coisas começaram a acontecer. Não eram coisas absurdas, mas a chance de acontecer era mínima. Quando tudo isso começou a se realizar, eu nem lembrava mais do caderno/diário. Achei ele uns dois ou três anos depois do ocorrido e li o que eu havia escrito. Sério, fiquei apavorada.

Talvez eu me arrisque e tente me aventurar pelo mundo imaginário que é, ao mesmo tempo, tão real. Talvez eu escreva apenas as coisas que eu quero que aconteçam. Talvez eu re-escreva o passado, faça coisas que não fiz, diga coisas que não disse e veja que rumo a história tomou. E assim, com esperança, eu tento tramar os dois enredos de forma que eu possa construir aquele futuro que eu estava imaginando.

Depois que o curso acabou, passei a analisar muito mais o enredo da ficção. Coletar pistas que me levassem à uma conclusão, que me permitissem chegar ao final da história pensando que tudo havia acontecido exatamente como eu imaginava. Ou exatamente o oposto. E esta é a magia da criação. Assisti alguns filmes com outros olhos, reparando em cada detalhe, tentando adivinhar o que viria pela frente. Acredito que a nessa reação seja assim para todos os tipos de arte. Sempre queremos saber como aquele filme, peça, livro ou até como aquela música desconhecida vai terminar. E a chave disso tudo é sempre proporcionar ao impulsos ao seu leitor, espectador ou ouvinte. Coisas que o conduzam através da obra, que o façam querer absorver todas as coisas do início ao fim.

Foi aí que eu parei pra pensar na importância da escrita. Na urgência da escrita. Com tanta coisa acontecendo no mundo, muitas pessoas precisam de um alento. Outras precisam criar consciência da situação do planeta, da economia, da educação. Muita gente encontra, na palavra de pessoas estranhas, todas as coisas coisas que precisava ouvir. Todo mundo se identifica com uma música, com um filme, com um livro. Todo mundo tira alguma lição ou um conselho amigo das palavras que alguém escreveu. O mundo hoje precisa de um pouco mais de esperança, de calma, de paz. Assim como muitas pessoas mergulham no enredo de uma novela após um dia cansativo no trabalho, outras fazem a mesma coisa com livros, com filmes, com música. E inserir sua mente em um mundo paralelo faz com que todos os problemas da vida real sejam vistos de outra forma depois. É como se você visse a sua vida de fora. O que une todos esses mundos imaginários (que são tão reais) é a palavra, é a escrita.

Quero te lançar um desafio. Tente colocar suas ideias no papel, mesmo que você nunca mostre pra outras pessoas. Escreva todas as coisas que você quer conquistar, onde você quer chegar, um futuro bom. Coloque em palavras aquilo que você quer que aconteça. Crie estratégias, trace caminhos e conduza seus passos em direção a essa história, de maneira que ela se torne a sua realidade. Na verdade, isso não é tão impossível assim.

 

Beijocas.


Danina

Observações

  1. Ai que texto maravilhoso!
    Eu tento escrever histórias de ficção, nunca terminei nenhuma. Eu tenho surtos de ideias e as vezes para organizar todas não dá muito certo. Tenho um trabalho em andamento, que está na metade, mas parece que não anda. E ele é inspirado na realidade, embora seja um pouco de ficção também. :/
    Enfim, gostei muito do seu depoimento sobre o diário imaginário, eu vou tentar fazer isso, vou até comprar um caderno para isso. Sei que a força do pensamento e das palavras são muito fortes!
    ps. quando a gente sente vontade dentro do coração de fazer uma coisa, faça. Não deixa passar não! :)

    http://seismilmilhas.com/
    http://facebook.com/seismilmilhas

    • Daniela Vaccari Diz: outubro 10, 2015 at 3:41 pm

      Oi Sarah!
      Que bom que tu gostou das dicas! Tenta fazer isso mesmo, tenho certeza de que vai ter bons resultados!
      E quanto à escrita, tira um tempinho pra ti, nem que seja uma hora por semana em um dia específico (tipo quinta-feira à noite) para fazer só isso e tenta seguir essa rotina e ir expandindo ela. Eu também estou nessa batalha pra conseguir fazer isso, então vamos tentar juntas, combinado?

      Beijocas!

  2. Quanta sensibilidade, Dani!! Amei! Quem sabe tu tenhas mais dom para a literatura do que imaginas! Parabéns! Vou dormir inspirada essa noite por causa de seu texto!

    Beijos,
    Vanessa Preuss
    http://www.vanesspreuss.com.br

    • Daniela Vaccari Diz: outubro 30, 2015 at 9:15 am

      Muito obrigada Vanessa! Que bom que tu gostou do texto!
      Que tu sempre continue inspirada pra escrever sempre mais e mais. Escrever é uma ferramenta muito forte, pode mudar a vida de alguém pra sempre! :)
      Beijocas

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