[San Diego] Aí vamos nós! – Parte 3: Vamos para a California! Mas… LIVING ABROAD

Por Karina Castilhos

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Quase na hora de partir, o Natal foi com cara de despedida. Não preciso nem falar né? Choradeira. Chegou janeiro e nada de passagens compradas, mas o visto estava na mão. Falando em visto, a minha esperança era que na hora de entrar no Estados Unidos não levassem em consideração a foto do visto. Quando olhei a minha foto, tive certeza de que fazia parte da máfia Russa. A foto é pior que de presidiário foragido. Horrível.

Bom, mas como falava antes, era janeiro e não tínhamos passagens compradas e, para falar a verdade, nem dinheiro para comprá-las. Todas as nossas tentativas de achar um valor razoável de passagem na internet até o momento tinham sido frustradas. Ainda mais com o dólar ao preço que estava. Péssimo momento para ganhar em real e gastar em dólar. Meu paizinho, querido, tinha algumas milhas acumuladas, e sempre quis dar para mim ou para minha irmã fazermos uma viagem. Minha irmã, mais grávida do que nunca (grávida de gêmeas), não iria viajar tão cedo. Meus pais também não estavam planejando nada, então meu pai insistiu para que pegássemos suas milhas e tentássemos trocar por duas passagens de ida e volta para Califórnia.

Nossa, quando vi que seria possível, me enchi de esperanças. Afinal, o dinheiro que conseguimos guardar até janeiro, não conseguiria bancar duas passagens e ainda umas semanas na Califórnia (tempo suficiente até arrumar um emprego, imagino eu). Enfim, graças ao meu pai, conseguimos trocar milhagens por passagens. Estávamos com as passagens finalmente compradas. Agora o sonho começava a se tornar realidade! Dentro de pouco tempo estaríamos indo para a Califórnia.

Conseguimos as passagens para o dia 1º de março, conforme havíamos planejado. Nesse instante, em que a coisa se torna realidade, um oceano de pensamentos se instala na nossa mente. E nós ali, boiando nessa imensidão de idéias. E quem resolve aparecer novamente? Aquele medinho chato. Mas comecei a reconhecer esse medo que, na realidade, não era um medo do desconhecido, mas um medo do que deixaria aqui. Do que deixaria de viver por aqui. Perderia o momento mais mágico da vida da minha irmã, e teria de acompanhar de longe o nascimento das minhas lindas sobrinhas. Não poderia ficar com meus pais, nem com meus amigos. Mas não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo (ok, alguns cientistas dizem que até podemos, ou que até estamos, mas vamos levar em consideração que isso não é possível).

Bom, janeiro passou como um avião a jato. Ainda mais que eu estava de férias na praia. A meta agora era voltar ao trabalho, pedir demissão e rezar para que desse tudo certo. Voltamos para nossa cidade, e voltamos também à rotina. Meu namorado já havia pedido demissão dos dois empregos dele, e eu somente de um. A barra agora era pedir demissão do outro, o mais difícil, trabalhava lá há mais de três anos. E o pior é que eu gostava de trabalhar lá. O ambiente de trabalho era bem gostoso e acabei fazendo amigos. Bom, mas não podia pensar nisso nessa etapa dos acontecimentos.

A saudade de tudo e todos já existia, e doía só de pensar. Mas tudo certo! Toda escolha tem suas perdas, e os ganhos são bem recompensadores! Pedir a demissão foi tranqüilo, todos apoiaram e acharam super legal o que eu estava fazendo. A idéia agora era fazer os trinta dias na empresa, juntar mais um dinheiro e o plano estava perfeito. Tudo estava se encaixando perfeitamente. O mês de fevereiro foi intenso, jantas para cá, jantas para lá, tivemos várias festas nesse período, até um casamento. Mês inteiro de despedidas, de tudo e de todos.

Nesse meio tempo, eu andava meio estressada, minha menstruação atrasou e logo percebi que estava bem ansiosa para a viagem. Faltavam mais ou menos umas 3 semanas para o dia 1º. No fim de semana do Carnaval, resolvemos ir com a minha família para a praia! Praia é um lugar para relaxar. De repente lá minha menstruação desça e essa TPM passe, eu pensei. Eu estava bem tranqüila, mas havia comentado com a minha irmã e com algumas amigas que minha menstruação não vinha.

Óbvio, se tratando de mulheres o escândalo estava armado. “Como assim a menstruação não veio?” “Tem que fazer um teste de gravidez!” e blá blá blá blá!!! Mas eu estava tranqüila, afinal eram alguns dias de atraso só e eu não tinha nenhum sintoma diferente do normal. Mas a pressão para cima de mim era tanta, que resolvi comprar o maldito teste. Fui até a farmácia e, como moro em uma cidade pequena, sempre que se sai de carro ou a pé se encontra alguém conhecido. Apesar da minha certeza de não estar grávida, fiquei com vergonha e medo de que alguém conhecido me visse comprando um teste de gravidez. Ia virar fofoca em um segundo.

Então, resolvi ir até a cidade vizinha. Se comprasse lá, a probabilidade de alguém me ver com um teste de gravidez era menor – escrevendo isso, percebi como somos bestas. Grande coisa eu comprar um teste de gravidez. Eu que pago minhas contas, eu compro o que eu quiser na farmácia e ninguém tem nada a ver com isso – Bom, mas voltando ao teste de gravidez. Comprei e fui direto para casa. Era uma quinta-feira e o carnaval começaria na sexta. Tínhamos planejado ir para a praia na quinta a tarde para não pegarmos todo o movimento do carnaval.

Chegando em casa fui logo fazer o teste, mas antes chamei meu namorado. Já havia o avisado, e ele havia entendido e concordado que o atraso era em função da viagem. Mas mesmo assim o chamei para participar do teste junto. Mesmo sabendo que não poderia haver nada eu estava BEM nervosa, afinal, era um teste de gravidez. Havia comprado o mais baratinho, o do copinho de xixi com a tirinha. Fui até o banheiro, e ele esperando do lado de fora (tenho vergonha de fazer xixi na frente dele, apesar de estarmos juntos há séculos).

Bom, enquanto fazia xixi no potinho, peguei o papel que ensina a aplicar o teste e comecei a ler. Facinho pensei, só fazer xixi, mergulhar a tirinha de papel no xixi até a marca, e esperar 5 minutinhos. Os mais longos 5 minutos da minha vida. Aquele teste se transformou em um monstro para mim. Larguei a tirinha dentro do pote com xixi, lavei as minhas mãos, desliguei a luz e fechei a porta do banheiro, sai em um pulo. Não podia esperar durante 5 minutos olhando para a tirinha, e não ia ver o resultado sozinha.

Chamei meu namorado e esperamos na sala os 5 longos minutos. Nesse momento, não abrimos a boca. Ele não me disse, mas também estava com medo. Haviam se passado 4 minutos, então decidimos abrir a porta do banheiro e encarar o monstro que estava lá. Quando ligamos a luz, olhamos para o potinho e havia uma listra bem bonita e forte. Quando olhei novamente, vi que haviam duas listras. Sim, eu estava grávida.


Karina Castilhos

Observações

  1. Ooi, Fiquei meia pérdida nesse texto acho q é pq ainda não li os outros … ahaha

    Dani, cade tu que não responde mais meus coments ??

    E ai como ta indo a preparação da entrevista dos fãs ??

    Bjs

    • Oi Darah!
      Tem que ler desde o primeiro, criatura! Senão vai ficar perdida mesmo! hahaha
      Desculpa demorar pra responder, é que eu fiquei um pouco doente e nem abri a página.
      Mas agora eu já voltei e tô escrevendo a parte V! :)
      Beijocas

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