Como contornar obstáculos. SOLTANDO O VERBO

Da sacada da minha casa, eu consigo enxergar inúmeros aviões passando de um lado para o outro o tempo todo. Às vezes eu fico imaginando pra onde aquelas pessoas estão indo, de onde elas vêm, por qual motivo elas estão dentro daquele avião. Certa vez, eu fui para Campinas e eu estava tão feliz que eu conversava com todas as pessoas que cruzavam o meu caminho. Desde a hora do check-in até a hora de desembarcar. Eu estava indo para a minha primeira viagem sem alguém da família à tiracolo (leia mais sobre essa viagem clicando AQUI). Na volta, porém, eu sentei ao lado de uma mulher que estava com uma cara muito triste. Eu disse “oi”, pedi licença e me sentei. Mas o tempo todo eu fiquei com a pergunta na cabeça “tu tá bem?”. Desejei, a viagem inteira, que eu pudesse ajudar a mulher de alguma forma. Mas acho que foi melhor nem perguntar.

Então, hoje eu vejo os aviões passando pela minha janela e percebo que, suspensos nas alturas, naquelas luzinha piscantes, tem gente que está feliz e gente que está triste. Gente que viaja pra se divertir e gente que viaja porque precisa. Elas vão de um lado para o outro pelos céus mas, aqui embaixo, nada sai do lugar, tá tudo igual. É como se as coisas acontecessem numa escala muito menor quando a gente não se desloca. Há alguns meses, quando o meu ex-namorado havia embarcado para um intercâmbio na Irlanda, estávamos trocando mensagens. Ele me contando que havia chegado no aeroporto de Amsterdam e eu sentada no meu escritório pensando que um dia eu escreveria sobre isto. Porque o que me passou pela cabeça foi que, não importa para onde você vá ou o que quer que faça, o mundo à sua volta não vai parar. A vida continua e, se você estiver parado, tudo se torna um fardo pesado.

Esses dias eu vi na televisão a história do pedreiro Joaquim Corsino, de Cariacica-ES, que, aos 63 anos de idade, havia acabado de se formar na faculdade de Direito. Todos os dias ele pedalava vinte e um quilômetros para ir até a faculdade em Vitória. Cada parede construída era, para o seu Joaquim, sinônimo de estar cada vez mais perto do seu sonho. O seu grande objetivo é ser delegado de polícia, resultado da vontade de ajudar as outras pessoas. Ainda por cima, no meio do caminho, um amigo – se é que dá para chamar assim – pediu quatro mil e quinhentos reais emprestados para o seu Joaquim e nunca mais pagou. Então, ele teve de parar a faculdade para juntar mais dinheiro e assim terminar de pagar o curso. Em 2012, ele voltou para a graduação e ficou lá até se formar. Palavras do seu Joaquim: “Quando eu leio a Constituição no artigo quinto, que fala que todos têm direitos iguais, vejo que tem muita coisa boa nela e eu gostaria de contribuir para isso”. Leia mais sobre a história do seu Joaquim AQUI.

Então eu me peguei pensando: qual é a diferença entre as pessoas que alcançam os seus objetivos e as que não saem do chão? E cheguei à conclusão de que tudo depende da capacidade de cada pessoa de mensurar seus próprios obstáculos. Se você olhar para um obstáculo (no caso do seu Joaquim, a distância e o dinheiro) e vê-lo como uma coisa pequena, isso não te impedirá de ir adiante. Se o seu Joaquim desistisse só por saber que ele teria de pedalar quarenta e dois quilômetros todos os dias, faça chuva ou faça sol, ele nunca teria conseguido um diploma de curso superior. E mais do que isso, ele nunca teria realizado um de seus sonhos. E digo “um de seus sonhos” porque todos nós podemos e devemos ter muitos sonhos e muitas coisas a almejar na vida.

Só que de nada adianta nos fecharmos no nosso quarto e nadarmos em lágrimas porque alguém virou as costas para nós ou porque uma porta foi fechada em nossa cara. Somos completamente capazes de irmos atrás daquilo que realmente importa pra gente. Você deve estar pensando que muitas pessoas têm sorte na vida e que outras tem dinheiro ou contatos que facilitam muito as coisas. Mas daí eu te pergunto: que graça teria? Não seria uma conquista, e sim um favor ou um presentinho. Se você ainda não está convencido, vou te dar alguns outros exemplos.

Você sabia que a talentosíssima atriz Whoopi Goldberg era maquiadora de mortos?

Andrew H. Walker / Getty

Ah, e antes disso, ela era (adivinha só) pedreira, como o seu Joaquim!

 

Hugh Jackman, famoso pelo seu papel como o herói Wolverine, foi professor de Educação Física e também trabalhou como clown animador de festas.

Slaven Vlasic / Getty

E ele cobrava cinquenta dólares por show.

 

Johnny Depp vendia canetas esferográficas pelo telefone.

Kevin Winter / Getty

Sabe aquela pessoa que está tentando te vender produtos pelo telefone e você sempre diz a ela que o dono da casa não está? Pois é, ela pode ser a próxima estrela de Hollywood…

 

Kanye West trabalhou como assistente de vendas numa loja da Gap.

Theo Wargo / Getty

Será que ele era um vendedor suuuper simpático, hein? hehehe

 

Rachel McAdams, a Regina George em “Meninas Malvadas”, trabalhou no McDonald’s por três anos.

Gareth Cattermole / Getty

E ela disse que não era uma boa funcionária e ainda por cima quebrou a máquina de suco de laranja.

 

Jon Bon Jovi trabalhava fazendo decoração de Natal.

Pablo Blazquez Dominguez / Getty

Eu achei tri legal, tá?

 

Simon Cowell começou sua carreira como entregador de correspondências na gravadora EMI, antes de chegar ao topo da mesma empresa.

Tim P. Whitby / Getty

 

E, para concluir essa pequena lista, dentre outros exemplos que não foram citados, Jim Carrey trabalhava fazendo limpeza em uma fábrica.

Kevin Winter / Getty

 

Eu deixei o Jim Carrey por último na lista porque eu queria falar de um texto que eu postei aqui no blog que fala mais ou menos do assunto abordado no texto de hoje e tem um vídeo com um discurso muitíssimo inspirador que o Jim Carrey preparou para uma turma de formandos. Tenho certeza de que vai dar um UP no seu humor e na sua vida! Para ler o texto, clique AQUI.

Sabe, às vezes eu me sinto meio desanimada quando aparece um obstáculo na minha frente. No passado era ainda pior, porque eu tinha a mania de desistir de absolutamente tudo na primeira dificuldade. Eu não conseguia terminar de ler um livro quando faltava tempo. Eu comecei três cursos na faculdade e já desanimava quando eu fazia a previsão de todos os semestres. Claro que a falta de dinheiro e a incerteza de qual curso fazer também contribuíram para a minha desistência, mas agora a gente sabe que se preocupar com o tempo que vai levar para concluir alguma coisa é simplesmente um pretexto para não fazer, o que, francamente, eu chamo de preguiça.

Aliás, ficar adiando as coisas me fizeram perder inúmeras oportunidades. Tipo, muitas mesmo. É que eu quero fazer tudo perfeitinho e acabo demorando demais. Aí, ou eu desisto por achar que não vai dar certo ou já é muito tarde. Eu fiquei “chocando” a ideia de ter um blog por mais de quatro anos! E tudo porque eu não tinha certeza exatamente de como eu ia fazer. Eu sempre fui aconselhada a lançar o projeto, qualquer que seja ele, e ir aprimorando ao longo de tempo. Mas sabe uma pessoa teimosa? Pois é.

Só que hoje em dia eu não sou mais tão reclamona como antigamente. Por dois motivos: o primeiro é porque eu sei que não adianta reclamar e não fazer nada para mudar a situação. E segundo, eu olho pra trás, eu olho os posts do blog e todas as coisas que eu conquistei nesse pouco mais de um ano e me sinto muito culpada por sequer abrir a boca pra falar algo de negativo. Onde mais uma blogueira consegue cobertura de show e sua primeira entrevista internacional no mesmo dia? Eu resolvi fazer um canal no Youtube para falar de coisas práticas (diferente do que é aqui no blog) e passei dos duzentos inscritos já no primeiro mês. Eu não posso reclamar. Tenho mais é que ser muito grata por todas essas conquistas e ajudar as outras pessoas, seja através do blog ou do canal, a conquistar tanto ou mais coisas do que eu.

Então, galera, sem ter muito mais o que dizer por agora (pra evitar também que esse texto fique longo demais), eu quero dizer a todos vocês de que eu estou e sou muito feliz de estar aqui, fazendo uma das coisas que eu mais gosto e ao mesmo tempo tentando contribuir de uma forma divertida. Qualquer coisa que vocês precisarem, podem falar comigo. Mandem um e-mail (sou eu que recebo e respondo as mensagens do formulário de contato do blog), deixem um comentário, façam sinal de fumaça. Eu sei que eu não sou a dona da verdade e muito menos sei de todas as coisas nesse mundo. Mas se tem uma coisa que eu gosto é de “dois dedinhos de prosa”!

Beijocas para todos vocês! =}


Danina

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