Como solidificar um pensamento e transformá-lo em primeiro beijo. Parte II. CONTOS

Esta é a segunda parte do texto “Como solidificar um pensamento e transformá-lo em primeiro beijo”. Se você ainda não leu, corre lá antes de ler o que vem a seguir. :}

Durante toda aquela semana, eu fiquei pensando e comparando muito as duas opções incertas que eu tinha: o menino que estudava na minha escola e que sempre me ignorava por achar que dois anos de diferença de idade faziam dele uma pessoa muito mais madura do que eu (ah, ele ria do meu cabelo e dizia que parecia que eu tinha saído dos anos 70 — pelo menos ele sabia que eu existia), e o Pierre: três anos mais velho, popular, uma gracinha e todos os outros atributos que faziam dele um garoto inatingível. Pelo menos para mim.

A insegurança
Hoje em dia, as coisas estão melhor classificadas. As provocações e chacotas que uma criança sofria são agora chamadas de bullying. Naquela época, a gente mal sabia dizer o que era isso. Resolvia devolvendo na mesma moeda, chamando a pessoa de alguma coisa mais horrorosa ainda ou se pegava no soco mesmo. E o pior: os engraçadinhos sempre descobrem o seu ponto fraco, aquilo que você mais tenta esconder, e usam isso pra te deixar envergonhado. No meu caso, eu era chamada de “nanica cabeluda” e “cara de coelhinho” — obviamente por causa da minha altura, minha juba e dentes protuberantes — incrível, mas o menino que fazia isso era, sempre foi e sempre vai ser um dos meus melhores amigos. Talvez ele falasse brincando de uma coisa que eu não gostava, sem saber que me incomodava tanto. Pela força do costume, quando ele lê algum texto do blog, já vem elogiar dizendo “muito bom, nanica”. O que tanto me perturbou, hoje eu vejo como gesto de carinho. Tudo depende como a gente vê as coisas.

Discorri sobre a minha infância para dizer que, apesar de toda a insegurança — explicada — que eu tinha, naquela sexta-feira de festa eu estava muito confiante. Inexplicavelmente. Não pensei no que os outros iriam pensar ou falar. Nem pergunte, é óbvio que eu me arrumei! Pedi para a minha mãe me maquiar, fiz chapinha no cabelo, pedi uma jaquetinha emprestada para a minha prima Clara e coloquei uma bota de salto. Nada muito exagerado, pois eu realmente aparentava ter ainda menos idade do que os treze anos que carregava nas costas. Um ponto nada a favor para quem está apaixonada por um menino “bem mais velho”, não é?

O experimento nada científico
Você está curioso para saber o que aconteceu na festa, certo? Calma aí, porque o que eu tenho pra contar é algo, digamos assim, decisivo nessa história. O que aconteceu naquela semana pode parecer ser nada demais, mas foi algo que funcionou, apesar de não haver fundamento suficiente para provar. Acredito que fazendo esse experimento — mesmo que inconscientemente e sem classificá-lo como tal — eu me predispus a sentir confiante. Minha mente fez isso. Na playlist do post, você vai encontrar algumas das músicas que estavam fazendo sucesso nas rádios e nas festas daquela época. Como eu não tinha computador e nem TV a cabo, passava muito tempo desenhando e ouvindo música. E, quando fazia isso, ficava sonhando acordada. Na verdade, eu ficava imaginando como teria sido o dia da gincana se tudo tivesse ocorrido como eu queria. Como seria a festa, as pessoas e, claro, o que aconteceria lá. Cada olhar, cada palavra, cada movimento. Tudo embalado ao som do que viesse no rádio. Diálogos intermináveis, cenas, a demora e, por fim, o beijo. Tudo na minha cabeça. Nunca teria certeza daquilo sem viver tal momento. Mas não cansava de imaginar. Então, toda vez que eu ouvia aquelas músicas, eu me sentia exatamente como eu me sentia naquelas cenas que eu criei ouvindo rádio. Tudo porque eu me permiti sentir assim. E não é que funcionou?

Era chegada a hora. Fui até a casa da minha prima Ana para irmos juntas (não sei se você lembra, mas foi ela quem comprou o ingresso da festa pra mim). Chegamos na boate onde seria a festa. Muita gente. Não sabia se encontraria o Pierre no meio daquela multidão. Olhava toda hora para os lados, parecia tonta, mas com olhos de águia. E nada. Comecei a ficar nervosa. Será que ele vinha? Será que foi tudo em vão e eu fiquei nervosa por nada?
Fomos dar uma volta pelo lugar e encontramos umas amigas da minha prima. Elas sugeriram que fôssemos para o ambiente de shows, porque o show que estava rolando lá era muito bom e tal. Pra falar bem a verdade, eu queria “procurar” um pouco mais. Fui, então, contra a minha vontade. Chegando lá, bem perto do palco (o lugar que as meninas acharam para assistirmos ao show), quem eu vejo? Sim, o Pierre.

Quer saber como termina essa história? Curte a página do blog e fique por dentro de tudo que está rolando aqui no blog.

Beijocas.

 

Leia aqui a Parte III 

 

PLAYLIST DO POST (Você também pode escutar tudo junto no Grooveshark):

Beautiful – Snoop Dogg feat. Pharrell Williams & Uncle Charlie Wilson

Ms. Jackson – OutKast

All I Have – Jennifer Lopez feat. LL Cool J

Clocks – Coldplay

In da Club – 50 Cent

Crazy in Love – Beyoncé feat. Jay-Z

Numb – Linkin Park

Frontin’ – Pharrell Williams feat. Jay-Z

Seven Nation Army – The White Stripes

Move Your Feet – Junior Senior

Stuck – Stacie Orrico

Miss Independent – Kelly Clarkson

No Letting Go – Wayne Wonder

Rock Wit U (Awww Baby) – Ashanti

Where is the Love? – Black Eyed Peas


Danina

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