Eu sou o Gato de Schrödinger SOLTANDO O VERBO

Hoje de manhã, no feriado de Finados, uma amiga minha postou na sua página do Facebook algumas reflexões muito interessantes sobre estarmos realmente vivos ou mortos por dentro. Isso me fez lembrar que, ontem à noite, às duas da madrugada, eu aluguei a minha mãe pra ouvir as minhas reflexões sobre a vida. Foi então que eu decidi escrever sobre uma coisa que eu já vinha pensando a respeito: sobre como é ficar um ano sozinha.

Quem acompanha o blog sabe que meu namoro acabou há pouco mais de um ano, exatamente um dia depois do meu aniversário (leia mais sobre isso AQUI). Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a reflexão da minha amiga sobre estarmos mortos por dentro. Na verdade, tudo.

Quando o meu namoro chegou ao fim (pra falar a verdade, ele vinha chegando ao fim já fazia um bom tempo), eu comecei a reavaliar a maneira como eu vinha vivendo e lidando com as coisas que vinham acontecendo comigo. Ao me ver sozinha, eu percebi que alguma coisa estava morta dentro de mim. Foi quando eu escrevi o texto “Quando o Amor Acaba”.

O tempo foi passando e, a cada mês, parecia que eu reavaliava a minha vida de maneira diferente, descobrindo novas coisas sobre mim e aprendendo comigo coisas que eu nunca imaginei ensinar pra alguém. Nessas idas e vindas de novas descobertas, passou um ano. Depois passou mais um mês, e mais um. Exatamente um ano e dois meses sem me deixar envolver. Sem conhecer gente nova. Sem nem sequer beijar alguém.

Esse meu “Ano Sabático”, como eu chamo, foi importante para eu perceber o que eu queria e o que eu não queria para a minha vida. Eu comecei a olhar de fora a maneira como eu agia nos meus relacionamentos e vi que eu fazia muita bobagem. Coisas que muitas outras meninas também fazem em seus relacionamentos e acabam se sabotando, sem sequer notar.

 

CIÚME

Uma das coisas que mais estragam um relacionamento é o ciúme. O importante é ter bem claro em sua mente que, antes do namoro, as duas pessoas envolvidas tinham uma outra vida. Seus próprios amigos, sua própria rotina. Um dos grandes pilares que sustentam uma relação, seja ela profissional ou amorosa, é a confiança. Quando não há confiança, esquece o resto porque não vai dar certo. A tarefa primordial de cada integrante de um relacionamento é passar confiança para o parceiro e confiar de volta.

Um dos lados bons de um relacionamento é que você ganha de brinde os amigos da pessoa com quem você está e ela ganha os seus amigos também. As relações se fortalecem e você encontra muitas outras pessoas com quem você pode contar. Mas nem tudo são flores.

Existe gente bisca, sim (se você quer saber um pouco mais sobre esse espécime, clique AQUI). Se o seu namorado ou namorada é uma pessoa bem relacionada e popular, o alvo é ainda maior. Tem gente que faz questão de se fazer de amiguinho ou amiguinha só pra provocar ciúme na outra pessoa do relacionamento. O pior é quando esse golpe baixo funciona. Aí a outra pessoa fica insegura, achando que seu namorado ou namorada está dando bola pra pessoa bisca e começam as brigas e… o resto você consegue imaginar. Demonstração gratuita de desconfiança, cara amarrada, mau humor, brigas, brigas e mais brigas. Celulares sendo vasculhados, contas das redes sociais sendo milimetricamente escaneadas. A convivência se torna insuportável.

Qual é o resultado disso? Um casal que poderia ser muito feliz acaba se deixando abater por intrigas externas e falta de segurança interna. Ao invés de ficar perguntando quem é de onde veio cada amigo(a) no perfil do Facebook da pessoa que está com você, faça com que os momentos dela ao seu lado sejam os melhores. Faça com que ela se sinta bem estando com você e que cada despedida seja um momento em que a pessoa vá começar a contar os minutos pra te ver de novo.

Olha, eu estou dizendo isso com muita propriedade porque eu já fui uma das pessoas mais inseguras que eu já conheci. No final a gente descobre que não é só ciúme da outra pessoa, e sim uma coisinha que incomoda no nosso interior. A insegurança faz a gente se comparar até com uma foto numa revista e nos faz pensar que vivemos na iminência de sermos trocados por alguém “melhor”. Só te digo uma palavra: PARE. Pare com isso imediatamente.

Se a pessoa está namorando com você e não tem a mínima vergonha de admitir isso em público, é porque ela quer estar com você. Se ela não quisesse, seria muito fácil te dar um pé na bunda e ir ficar com todas as outras pessoas que ficam dando em cima. A verdade é que quem fica cogitando trocar o certo pelo incerto, quem fica pensando que talvez seria legal não estar preso a alguém e aproveitar a vida ficando com uma pessoa a cada fim de semana, deve fazer exatamente isso. E não fazer a outra pessoa perder seu tempo com alguém que só vai deixar ela mais insegura.

Não fique tentando “consertar” as pessoas. Cada um tem o seu tempo para amadurecer e entender o que realmente quer. Se você fica se estressando e vivendo momentos como os citados aqui no texto, avalie se quem está provocando isso é a pessoa ou você mesmo. Se é você que fica desconfiando até da sua sombra porque aquela garota que você não gosta veio cumprimentar seu namorado com aquele decote imenso e um sorrisinho cheio de malícia, a culpa não é dele. Biscas farão bisquices e ninguém vai mudar isso. Mas se é a outra pessoa que fica pisando na bola e a sua cota de perdão já está se esgotando, talvez esteja na hora de vocês dois se perguntarem “o que” e “se” vocês querem alguma coisa um do outro ainda. É como eu sempre digo, com sete bilhões de pessoas no mundo, você ainda vai achar alguém que tenha (quase) tudo a ver com você.

  ACEITAR OU MUDAR?

Outra coisa que estraga relacionamentos é tentar mudar as pessoas. Acredito que, quando a mudança é interna e por iniciativa da própria pessoa, ela é sempre válida, desde que seja uma mudança para melhor. Na minha opinião, amar alguém é mais do que amar suas virtudes ou as coisas boas que ela faz. Amar alguém inclui abraçar também os seus defeitos, as suas falhas e diferenças, desde que isso não prejudique o outro (obviamente).

Já tive vários mini relacionamentos, que duraram dias ou poucos meses e consistiam em só andar de mãos dadas nos sábados de sol ou na hora do recreio na escola. Mas também já tive relacionamentos sérios que duraram anos e que despertaram planos e expectativas de ambas as partes. Posso dizer que já houve um tempo em que eu passava mais tempo apaixonada ou namorando do que propriamente sozinha. Esse “Ano Sabático” que acabou de passar me ajudou a ver tudo isso de fora e avaliar todas as situações de uma forma lúcida.

Comparando a maneira como as pessoas entravam e saíam de um relacionamento comigo, eu pude notar que eu mudava as pessoas. Claro que, na minha cabeça, eram mudanças para melhor. Coisas do tipo: fazer a pessoa parar de fumar e voltar a fazer exercícios físicos, melhorar o corte de cabelo e a maneira de se vestir, incentivar a procurar um emprego melhor e começar um curso superior, instigar reações diferentes e a tomada de atitudes diante de problemas do cotidiano… enfim, várias coisas que eu considerava uma “melhoria” na vida da pessoa. Só que tudo isso não passava de melhorias superficiais.

A verdade é que eu sempre tentei transformar, inconscientemente, os meus namorados em versões masculinas de mim mesma. E, quando descobri isso durante esse ano que passou, eu percebi que eu não passava de uma “fabriqueta de monstros”. É claro que a gente sempre acha que a nossa opinião é a mais sensata, senão a gente não estaria pensando dessa forma, não é? Só que eu tentava aplicar a minha visão de mundo a tudo e a todos que estavam ao meu alcance. E muitas vezes eu estive errada, embora ainda seja meio nebuloso poder identificar todos momentos, especificamente, em que eu falhei. Só sei que, esses monstros que a gente cria, eles crescem. E às vezes ficam maiores do que a gente e se voltam contra nós. E, como uma outra versão de nós mesmos, nossos próprios defeitos aparecem gravemente acentuados na nossa “criação”. Então, hoje eu penso: o que foi que eu fiz? Porque, no fim das contas, nós nos tornamos vítimas das nossas próprias intenções, dos nossos próprios atos, por mais que eles pareçam inofensivos aos nossos olhos.

Por isso eu digo, mais uma vez por experiência própria, para aceitar a pessoa como ela é e torcer que a mudança para melhor venha de dentro dela e não enfiada goela abaixo por você. E se, no fim das contas, a pessoa não era aquilo que você imaginava ou esperava que fosse, lembre-se dos outros sete bilhões.

  A CASCA

Como você pôde ler nos parágrafos anteriores, eu me tornei uma pessoa um tanto “prática”, pra não usar a palavra que eu venho evitando: insensível. Nesse ano que passou, eu tive oportunidades, sim, de conhecer novas pessoas, de reencontrar outras que não via há tempo, de me divertir com os meus amigos da época da escola. Mas também tive oportunidades de começar novos romances ou até de me divertir por algumas horas, mas essas últimas opções foram todas descartadas. Elas simplesmente não aconteceram. Eu não queria me envolver emocionalmente ou fisicamente. Com ninguém. Não sei se estava traumatizada e saturada dos relacionamentos anteriores ou se simplesmente queria dar umas férias para o meu coração e mente.

Acontece que essas férias estavam se tornando permanentes. E eu estava ficando acostumada com isso. Eu me sentia bem, estava tranquila. Não sentia saudades, não sentia ciúmes. Eu não tinha a sensação de borboletas na barriga e também não sentia calafrios nas costas. Eu não ficava olhando a tela do meu celular constantemente e o meu coração não disparava com a chegada de uma nova mensagem. Eu não suspirava e as músicas que eu escutava simplesmente não ilustravam situações e nem possuíam um “dono”.

Então, ontem à noite, às duas da madrugada, eu percebi que eu construí uma casca ao meu redor. Alguns motivos que causaram esse meu fechamento não cabem aqui nesse texto e também não é a hora de falar sobre tais acontecimentos. Mas esse meu estado alheio a tudo se tornou perene e, por sua vez, criou solidez. Eu era sensível com meus amigos e chegava até a me emocionar com uma notícia triste no jornal. Eu conversava, dava muita risada e, nos últimos meses, me tornei até mais sociável do que era “normal” nesses meus anos pós-depressão. Fiz projetos grandiosos que estão sendo colocados em prática e tive conquistas que nunca imaginaria alcançar. A minha questão mesmo de insensibilidade era comigo, com o meu interior.

Quando a gente se percebe dentro de uma casca, a gente só pensa: “putz grila, como eu vim parar aqui?”. A gente até quer sair, mas a possibilidade de se manter na “estabilidade emocional” seduz ainda mais (coloco entre aspas, mesmo, porque isso não passa de uma ilusão boba, já que entre ser estável emocionalmente e simplesmente se abster de sentir qualquer coisa tem bastante diferença).

  O MEDO

Chega uma hora em que alguma pessoa muitíssimo curiosa e, no mínimo corajosa, vai querer entrar a qualquer custo nessa casca que você criou ao seu redor. Acontece que muitas pessoas têm a ilusão de que as pessoas que vivem dentro de cascas são iguais ao que elas eram quando viviam no mundo fora delas. Só que isso não é verdade. A casca muda as pessoas e, junto com ela, vem o medo. Medo de magoar alguém, de não poder suprir as expectativas que a pessoa criou sobre você, ou pior, de continuar insensível.

A casca nos dá o poder do “whatever”, ou seja, independente do que acontecer, você pensa: tanto faz. A casca nos impossibilita de criar expectativas sobre as pessoas e você simplesmente não se estressa com um possível revés em alguma situação. Você passa a ligar muito menos pro sentimento das outras pessoas em relação a você e, sem dúvida, se torna uma pessoa mais fria. As taxas de corações quebrados pelos residentes das cascas são extremamente altas. Aí, depois do medo, vem a culpa. E quando vem a culpa, é porque você já magoou alguém. E, às vezes, a pessoa que você magoou é a única pessoa no mundo que você acha que não merecia ter passado por isso, mas você não consegue evitar.

Então, mais uma vez por experiência própria, eu digo: não deixe que uma casca se crie ao redor de você. Eu não sei quanto tempo elas duram, porque a minha ainda está ali, firme e forte. Relacione-se. Saia mais de casa. Apaixone-se, mesmo que essa paixão dure só enquanto a festa estiver rolando. Lembre dos sete bilhões de pessoas no mundo e experimente novas experiências. É óbvio e eu nem precisaria citar Antoine de Saint-Exupéry pra dizer que você é eternamente responsável por aquilo que cativa, então não saia dilacerando corações e relacionamentos por aí. Não deixe o seu cérebro esquecer de produzir as endorfinas que só as situações de amor conseguem despertar. Mas arrisque deixar o seu coração quebrar de vez em quando e curta um pouco essa dor. Pelo menos você vai saber se você está vivo ou não. Porque eu, eu sou o Gato de Schrödinger.

 

Para saber mais sobre o Gato de Schrödinger, assista o vídeo abaixo ou clique AQUI:

 

TRILHA SONORA DO POST:
Move Together – James Bay

 

Caged – Charlene Soraia

 

I Need – Maverick Sabre

 

Promise – Ben Howard

 

See Me Now – Ryan Keen

 

Lost in You – Ryan O’Shaughnessy

 

You Found Me – The Fray

 

Por Onde Andei – Nando Reis e Os Infernais

 

If I Am – Nine Days

 

So Contagious – Acceptance

 

Halo – Lewis Watson


Danina

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