Como solidificar um pensamento e transformá-lo em primeiro beijo. Parte 4.

Parabéns! Se você chegou até aqui, foi porque procurou bastante. Sem mais delongas, aqui está a quarta parte do texto e a conclusão de apenas uma das tantas histórias que ainda estão por vir:

É incrível, a gente consegue agir de forma diferente nessas horas. Eu acho que toda a adrenalina, o instinto, a imaginação e o resto do corpo trabalham de forma conjunta. A gente quer que tudo aconteça como o imaginado, pois estamos preparados para aquilo. Mas acontece que a cena que estava acontecendo diante dos meus olhos não era o que eu havia imaginado. Essa incerteza do que vai acontecer no instante seguinte é que dá aquele friozinho na barriga, arrepia os pelinhos do braço e faz a boca esboçar aquele sorriso incontrolável.

Contra tudo o que eu julgava provável, ali estávamos nós dois, frente a frente. Ele pegou a minha mão direita, depois a esquerda. No mesmo instante, meus pés começaram a acompanhar os dele e ele conduziu todo o movimento embalado pela playlist que tanto tocou no rádio e nos meus pensamentos. Criei aquela coragem que só os momentos de pura adrenalina podem prover e olhei nos olhos dele. Ele sorriu. No mesmo momento, seus olhos ficaram apertadinhos, com aquelas marquinhas dos lados. Era um sorriso de verdade. Não pude deixar de fazer o mesmo.

Senti o vento gelado que refrescava aquela galera que dançava loucamente na pista. Nosso cabelo se movimentava um pouco. Nesse momento, senti um arrepio percorrendo as minhas costas da base até o pescoço.

Os braços dele, que antes estavam quase esticados, agora estavam mais relaxados e a distância entre a gente estava cada vez menor. Por um instante, os pés dele pararam de acompanhar os meus. Ele deu um passo à frente e chegou tão perto que consegui sentir a temperatura do seu corpo. Ele se inclinou para frente, passou a mão no meu cabelo e me perguntou baixinho no ouvido: “Posso te dar um beijo?”.

Meu coração disparou. Mil cosas passaram pela minha cabeça mas não consegui focar em qualquer uma delas. Mas toda aquela fusão de adrenalina e instinto não me permitiu pensar. Eu me rendi ao pedido dele, sem hesitar. Foi lindo. Durou tempo o bastante para reviver cada sensação dos meus pensamentos, milhares de vezes. Tudo o que eu queria estava ali, diante de mim. Toda a insegurança havia ido embora.  E parecia que o resto das pessoas também, pois eu só sentia a nossa presença ali.

Os outros não interessavam. O que aconteceria no futuro era tão incerto quanto tudo o que aconteceu nessa festa. Mas só sei de uma coisa: o pensamento pode ser solidificado, materializado. Basta deixar a mente solta e querer. Querer muito.

 

 

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Beijocas!