QUANDO O AMOR ACABA. PARTE I. SOLTANDO O VERBO

O começo de um amor ou até mesmo de uma paixonite é algo incrível. Sensações sem palavras para descrever, felicidade espontânea. Mas e quando o amor acaba?

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Quando o amor começa, você sente borboletas na barriga, calafrios na espinha. Você fica contando os minutos e eles nunca passam enquanto você espera. E, nesse meio tempo, seus olhos não cansam de correr a multidão, com o intuito de encontrar a pessoa. E quando ela aparece e se aproxima, você gela, não sabe o que fazer e fica agindo como um idiota. Chega até a gaguejar na hora de falar. Sozinho, em casa, olhar para o nada é uma coisa muito comum. Você refaz em sua mente todos os momentos, os movimentos, cada palavra. Você sente o perfume da pessoa na rua e olha para os lados freneticamente, sem se dar conta de que alguém pode simplesmente ter um perfume igual. Você fica imaginando cenas e diálogos infinitos. Você faz planos a longo e curto prazo, imagina mil coisas: desde uma casa com cerquinha branca na frente até uma viagem de aventura ao redor do mundo. O seu gosto musical muda. Você descobre uma banda que a pessoa gosta e começa a ouvir pra ver se é boa mesmo. E você gosta, é claro que você gosta. Aliás, a música se torna uma grande parceira, pois você usa ela o tempo todo para tentar expressar o que você está sentindo. Qualquer piada ou brincadeirinha é engraçada e você se pega rindo sozinho o tempo todo.

Mas quando o amor acaba… você não sente borboletas, mas um grande mal estar quando vê a pessoa. Você conta os minutos para estar debaixo do seu cobertor favorito, sozinho. Em festas, ou qualquer lugar movimentado, você desvia o olhar. E, quando ela aparece, você tenta fingir que está tudo bem mesmo sabendo que não está. Vocês têm amigos em comum e a maioria deles quer continuar sendo amiga dos dois. Eles ficam num campo de batalha, num fogo cruzado, sem saber o que fazer e dizer para amenizar a situação. Sozinho, em casa, você volta a olhar para o nada, mas dessa vez se perguntando o que foi que aconteceu de errado, em que ponto tudo começou a descer ladeira abaixo. Todas as coisinhas que você achava bonitinho na pessoa, agora você acha tudo horrível, ridículo. Porque isso te faz lembrar de algo bom que não existe mais. Você tenta fazer planos a curto e longo prazo e acaba esbarrando nos planos de antes, que incluíam a pessoa. Então você muda de planos, imagina outros lugares para visitar. Você não quer mais uma cerquinha branca em frente à casa. Você imagina um apartamento pra você e só você. O gosto musical? Bem, no começo, ouvir as músicas que te fazem lembrar da outra pessoa pode te deixar triste, mas um dia você vai esquecer que aquela banda existiu. Mas se ela for muito boa, você tenta ignorar a origem do seu gosto por ela e finge que ela sempre esteve na sua playlist.

Quando o amor está prestes a acabar, é como se você visse tudo que está pra acontecer e não fizesse nada a respeito. Porque, simplesmente, você não tem vontade. Você não se arruma mais, não sente mais o friozinho na barriga. Tanto faz. Você se irrita com pequenas coisas e às vezes até finge que está dormindo no sofá, só para não ter de conversar. De repente, você para e pensa que você pode estar sendo muito malvado. Mas você simplesmente não sente nada vindo do outro lado também. Você conta os minutos, mas pra saber se “vai ou racha”. E essa situação se estende por um bom tempo. Então começam os questionamentos. Será que existe outra pessoa? Será que eu fiz alguma coisa de errado? Às vezes o amor morre por falta de maturidade de uma ou ambas as partes. Por falta de entendimento e compreensão com os problemas do outro. Um amor que não tem cumplicidade entre as duas pessoas não vai longe.

É uma comparação clichê, mas o amor é como uma plantinha. Ela requer cuidado. Ela precisa ser regada todos os dias, tomar uma boa quantidade de sol e ar puro para poder respirar, ser podada no período certo. Você precisa cuidar da terra, do chão que a segura firme e cuidar também de suas raízes. Você deve tirar os bichinhos e ervas daninhas intrusas, que estão ali só para devorar aos poucos a sua plantinha, até que ela sucumba. E essa planta depende de alguém que faça isso por ela, pois ela não consegue se virar sozinha.  Enquanto ela ainda está morrendo, você pode trazer a planta para dentro de casa, colocá-la numa estufa. Em vez de simplesmente passar um pesticida e esperar fazer efeito, você cata bichinho por bichinho, arranca cada erva daninha. Aduba e afofa a terra, regando com muita dedicação. Talvez assim você consiga recuperar a sua planta. Mas você precisa observá-la de perto para saber o que é que está a matando para tomar as providências adequadas. Se você deixa de fazer essas coisas, a sua plantinha morre, o seu amor morre. E um amor que morre por falta de cuidados é muito triste. Mas como a natureza é perfeita, aquela planta seca não vai ficar ali pra sempre, pra todo mundo ver. A terra se encarrega de absorver seus restos e os transformar em nutrientes para que ali, naquele mesmo vasinho (que você pode chamar de coração), nasça uma nova planta mais verde e mais forte do que a anterior.

E, com o passar do tempo, cada planta que morreu naquele vasinho só deixou a terra mais rica e preparada para uma nova plantinha. E você começa a perceber que cada planta dura um pouco mais. Então essa terra só estava se preparando para receber uma semente que vai gerar uma nova planta, que vai durar muitos e muitos anos. Provavelmente será uma árvore que dará muitos frutos. Essas serão as coisas das quais você irá se orgulhar. Elas irão alimentar a sua vida e enchê-la de alegria, te fazendo querer acordar todos os dias para cuidar do seu jardim. Então, quando você sentir que seus frutos já estão menores, mais fracos e sem gosto, você já vai saber o que fazer. Virão tempos em que isso, inevitavelmente, irá acontecer. Porque tempos difíceis acontecem para todo mundo. Mas se você lembrar de todas as suas técnicas de jardinagem, você será muito feliz.

Da próxima vez que o seu amor acabar, pense nisso: por que você parou de cuidar? Você realmente quer deixar ele morrer?

Beijocas de uma jardineira que, entre idas e vindas, ainda acredita no amor.

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PLAYLIST DO POST:

Strong – London Grammar

Leave – Matchbox Twenty

England – The National

Basket Case – Sara Bareilles

Turn The Page – Bob Seger

Painted On My Heart – The Cult

Hero – Regina Spektor

Move On – Jet


Danina

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