QUANDO O AMOR ACABA. PARTE II. SOLTANDO O VERBO

É sempre difícil e imprevisível lidar com fim de relacionamento. Nunca se sabe como as pessoas vão reagir e nem se elas terão maturidade o suficiente para superar sem querer magoar o outro. No fim das contas, o fim pode te trazer belas surpresas e uma nova maneira de encarar a vida.

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Quando o amor acaba, há dois tipos de pessoa. Há aquelas que se fecham, que refletem enquanto tentam se recuperar. Isso leva tempo, dependendo da intensidade que o amor tinha ou com a qual ele acabou. Não importa se foi um namorico de três meses ou um casamento de três décadas. Dói igual. De formas diferentes, mas dói. O importante é respeitar o espaço de que essa pessoa precisa e, principalmente, mantê-la rodeada de sua família e amigos mais próximos para receber todo o carinho e apoio de que precisa.

Quando o amor acaba, as pessoas se olham no espelho, mas não se veem. É como se o amor acabasse em todos os lugares e nada mais tivesse cor. Mas o tempo passa, e como passa! Aquela pessoa que não via mais graça em nada começa a enxergar as coisas de outra forma. Volta e meia reencontra algum amigo de escola com quem há tempos não conversava. Dão muitas risadas juntos e é notável que a amizade permaneceu intacta por todos esses anos. E assim a pessoa se aproxima novamente de pessoas queridas que, por qualquer motivo estavam um tanto longe e fora do até então círculo de convívio.

É incrível. É como se essa pessoa adquirisse um ímã que atrai as pessoas pra perto. Provavelmente você deve ter passado por alguma situação em que, após terminar um relacionamento, as pessoas se aproximam de você sem qualquer causa aparente. Mesmo sem saber que você está sozinho agora. As coisas legais da vida começam a ser percebidas novamente. Filmes de comédia ficam mais engraçados, momentos com a família ficam mais divertidos. Coisas inesperadas começam a acontecer e, por algum motivo, tudo leva a crer que o universo está se encarregando de te amparar.

Há também aquelas pessoas que simplesmente fingem que nada aconteceu e saem para a “temporada de caça”. Tentam se aproximar de toda e qualquer pessoa que lhe pareça interessante, numa tentativa falha de esquecer o que acabou de lhe acontecer. São essas as pessoas que precisam de mais cuidado, pois elas não cuidam de suas próprias feridas, não tentam entender o quê e por quê aconteceu. Acham que vão conseguir suprir a falta que faz a outra pessoa dizendo: “eu vou achar alguém melhor”. Assim, começam a adicionar mil e uma pessoas aos seus contatos sem ao menos saber se aquela pessoa está com o coração disponível ou não. Aí se atiram de cabeça quando alguém lhe dá conversa pelo simples fato de esse alguém ser uma pessoa educada ou de gostar de conversar com os outros.

O “caçador” então, ao perceber que não faz diferença nenhuma na vida daquele “novo-contato-possível-novo-rolo” e que não há conexão alguma entre os dois (justamente porque tudo começou da forma mais torta, a partir de um ressentimento), acaba se ferindo e sofrendo de novo e de novo. E por quê? Caçadores calculam tempo, medem o espaço, miram seu alvo e disparam. E, quando o tiro sai pela culatra, se frustram. Não pararam pra pensar e nem para respirar desde que seu relacionamento acabou. É uma dualidade intensa na cabeça. Ora se sente como caçador, ora se sente como uma presa que acabou de se libertar. Como caçador, acha que precisa ter o controle de tudo, inclusive de seu coração e seu sofrimento. Como presa, ferida, acha que sua liberdade agora é sinônimo de “recuperar o tempo perdido”. Então começa a correr e correr, não sabe para onde vai e nem de onde veio. E acaba tropeçando e caindo, pois seus ferimentos lhe enfraqueceram demais.

O ponto negativo de qualquer um desses dois tipos de pessoa é o orgulho. A maioria das pessoas, quando feridas, não querem papo. Na verdade, querem distância da outra pessoa. Isso varia muito, já que tudo depende das circunstâncias com a qual o relacionamento foi interrompido. Pneus furam, unhas quebram, cabelos caem, corpos engordam e pessoas traem. Todos sabemos que a confiança é o elemento principal, a fundação, a base sólida para qualquer relacionamento. Seja entre empresas, fornecedor e cliente, pessoas que se amam. Quando não há confiança, nada se tem. Na verdade, viver desconfiando do outro, eternamente, tem suas desvantagens. E só. De resto, isso só vai te trazer o enfraquecimento do corpo, dos pensamentos, da alma e da convivência.

Mas até que ponto a desconfiança parte pura e simplesmente da cabeça do desconfiado? Analisando profundamente, começamos a perceber pequenas falhas. Das duas partes, talvez. Desconfiar demais é uma característica de coração ferido, judiado por relacionamentos anteriores. Um coração que não teve tempo de cicatrizar as próprias feridas. Um coração que tem medo de ficar sozinho e acaba se atirando de cabeça em qualquer rabo de saia ou barra de calça que se atravessar em seu caminho. Talvez um coração de caçador, talvez um coração medroso ou covarde. Ser o alvo da desconfiança não é nada bom também. Ao mesmo tempo em que pode te inflar o ego pensar que a outra pessoa está comendo na palma da sua mão, o gosto pode ser bem amargo. Quem dá, ou já deu motivos para a desconfiança, precisa repensar constantemente o motivo dessa posição em um relacionamento.

Pra ser bem sincera, um relacionamento não é a junção de duas metades. Você não deve esperar eternamente, querer achar sua cara metade. Isso não existe, é balela esse negócio de pé torto pro chinelo velho. É claro que, quando a pessoa entende, aceita e te ajuda a lidar com os teus defeitos, a convivência é ótima. Mas o ponto em que eu estou querendo chegar aqui é o fato de que devemos estar inteiros, nos sentindo plenos e confiantes o bastante para começar um relacionamento. O outro não deve vir para completar a metade que falta, e sim somar para transbordar o inteiro. Não quero dizer que, para engatar um namoro, devemos estar felizes da vida e com todas as contas pagas no débito automático. Nada disso. Quero dizer que devemos estar preparados para qualquer coisa que venha a acontecer daquele ponto em diante. Devemos estar de bem com nós mesmos. O que vier, vem bem. Vem alegrar, vem contribuir, vem ensinar. Amar sem depender do outro é a coisa mais bonita e mais difícil. Pra qualquer um.

E você, como lida com o fim dos seus relacionamentos (sejam eles de trabalho, amizade que bichou ou namoro que não deu certo)? Se quiser comentar, perguntar ou falar qualquer coisa sem se identificar, manda um e-mail pro contato@histeriacoletiva.com e manda ver! Talvez a sua dúvida ou história pode render um post bem legal na seção “Dedinho de Prosa”. Só vou publicar com a sua permissão, ok? Tô te esperando!

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Beijocas.

PLAYLIST DO POST:

Strong – London Grammar

Leave – Matchbox Twenty

England – The National

Basket Case – Sara Bareilles

Turn The Page – Bob Seger

Painted On My Heart – The Cult

Hero – Regina Spektor

Move On – Jet


Danina

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